Empresas recuaram no Mercado Livre de Energia?

Riscos crescentes, volatilidade e os impactos atuais, o que está acontecendo no novo mercado de energia?

César Felipe

2/11/20264 min read

man standing in front of people sitting beside table with laptop computers
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O mercado livre de energia vive um momento de amadurecimento, crescimento e, ao mesmo tempo, de maior sofisticação em gestão de riscos. Nos últimos meses, grandes geradores e empresas de trading reduziram suas operações no ambiente de contratação livre devido ao aumento da volatilidade de preços e à elevação dos riscos de crédito.

Esse movimento acende um alerta importante para consumidores e comercializadoras: como a redução de liquidez pode impactar contratos, preços e estratégias no novo mercado de energia?

O que está acontecendo no mercado livre de energia?

O ambiente de contratação livre sempre foi caracterizado por maior liberdade, flexibilidade contratual e competitividade. Porém, nos últimos ciclos recentes, alguns fatores têm provocado uma postura mais conservadora por parte de grandes players:

  1. Alta volatilidade de preços
    Oscilações bruscas no PLD aumentam o risco de posições expostas.

  2. Risco de crédito elevado
    Comercializadoras e geradores precisam avaliar a capacidade financeira das contrapartes.

  3. Maior necessidade de garantias financeiras
    Exigências de aportes e garantias aumentam o custo operacional.

  4. Ambiente regulatório em transformação
    O avanço do novo mercado de energia e propostas de modernização trazem oportunidades, mas também incertezas temporárias.

Esse cenário não significa crise estrutural, mas sim uma fase de ajuste e profissionalização do setor.

Como a volatilidade impacta o mercado livre de energia?

O mercado livre de energia é altamente sensível a fatores climáticos, hidrológicos e macroeconômicos. Quando há redução no nível dos reservatórios ou expectativa de despacho térmico elevado, os preços sobem rapidamente.

Essa volatilidade impacta diretamente:

  • Contratos indexados ao PLD;

  • Operações estruturadas de curto prazo;

  • Estratégias de hedge;

  • Decisões de compra de energia por consumidores livres.

Empresas que operam com trading ativo precisam de forte gestão de risco. Quando a volatilidade aumenta além do previsto, o custo de manter posições abertas pode se tornar elevado, levando ao recuo estratégico.

Risco de crédito: o novo ponto de atenção do novo mercado de energia

À medida que o novo mercado de energia cresce e atrai mais consumidores, inclusive empresas de menor porte, o risco de crédito se torna mais relevante.

No ambiente regulado, o risco é diluído. Já no mercado livre de energia, as operações são bilaterais. Isso significa que:

  • Se uma contraparte não honra o contrato, o impacto é direto.

  • A inadimplência pode gerar efeito cascata.

  • A exigência de garantias financeiras tende a aumentar.

Com o crescimento do número de agentes e comercializadoras, o mercado exige cada vez mais governança, transparência e mecanismos de mitigação de risco.

Liquidez no mercado livre de energia: por que ela é tão importante?

Liquidez significa facilidade para comprar e vender energia no mercado. Quanto maior a liquidez:

  • Maior competitividade;

  • Mais opções de negociação;

  • Melhor formação de preços;

  • Menor spread entre compra e venda.

Quando grandes traders reduzem operações, a liquidez pode diminuir temporariamente. Isso não paralisa o mercado, mas pode:

  • Aumentar a seletividade nas negociações;

  • Elevar critérios de análise de crédito;

  • Tornar contratos mais conservadores.

Para empresas que atuam estrategicamente no novo mercado de energia, esse é um momento de reforçar planejamento e análise de risco.

O novo mercado de energia está em risco?

A resposta é clara: NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!

O movimento de ajuste nas operações de trading faz parte do amadurecimento natural de um mercado que cresce rapidamente.

O novo mercado de energia no Brasil continua:

  • Expandindo a base de consumidores livres;

  • Aumentando a participação sobre o consumo total nacional;

  • Atraindo investimentos em fontes renováveis;

  • Avançando na agenda de modernização regulatória.

Na prática, o que ocorre é uma transição para um ambiente mais profissional, com maior rigor em garantias e gestão de exposição.

Impactos para empresas consumidoras

Empresas que já atuam ou desejam migrar para o mercado livre de energia devem observar alguns pontos estratégicos:

1. Análise de risco contratual

Escolher parceiros sólidos e bem estruturados financeiramente é fundamental.

2. Estratégia de compra estruturada

Avaliar contratos de longo prazo versus exposição parcial ao mercado de curto prazo.

3. Gestão ativa de portfólio

O novo mercado de energia exige acompanhamento constante de preços e cenários.

4. Planejamento energético integrado

Energia deve ser tratada como estratégia financeira, não apenas como custo operacional.

O papel da governança no novo mercado de energia

Com a redução pontual de operações por alguns agentes, o mercado reforça a importância de:

  • Governança corporativa;

  • Gestão de risco estruturada;

  • Compliance regulatório;

  • Monitoramento de exposição financeira.

Empresas bem preparadas tendem a se fortalecer em momentos de maior seletividade.

Tendência: mais segurança e mecanismos de mitigação de risco

Uma das discussões mais relevantes no novo mercado de energia é a implementação de mecanismos de compensação e clearing, que podem trazer:

  • Redução de risco sistêmico;

  • Maior transparência;

  • Padronização de garantias;

  • Aumento de confiança entre agentes.

Esse tipo de evolução é comum em mercados financeiros maduros e sinaliza profissionalização do setor elétrico brasileiro.

Oportunidades em meio à volatilidade

Embora o cenário traga cautela, ele também cria oportunidades:

  • Contratos estruturados com melhor precificação;

  • Maior valorização de empresas sólidas;

  • Espaço para inovação em produtos energéticos;

  • Fortalecimento de estratégias de energia renovável.

Empresas que entendem o funcionamento do mercado livre de energia conseguem transformar volatilidade em vantagem competitiva.

O que esperar para os próximos anos?

O novo mercado de energia brasileiro deve continuar avançando com:

  • Abertura gradual para todos os consumidores;

  • Maior digitalização das operações;

  • Crescimento das fontes renováveis;

  • Estruturação de instrumentos financeiros mais sofisticados;

  • Aperfeiçoamento regulatório.

Momentos de ajuste são naturais em mercados em expansão. A redução temporária de operações por grandes traders não representa retração estrutural, mas sim reorganização estratégica diante de um ambiente mais exigente.

A maturidade e evolução do mercado livre de energia

O recuo de algumas empresas nas operações de trading é um sinal de amadurecimento do mercado livre de energia, não de enfraquecimento.

À medida que o novo mercado de energia cresce, ele exige:

  • Mais governança;

  • Mais análise de risco;

  • Mais estrutura financeira;

  • Mais profissionalização.

Para empresas consumidoras, o momento reforça a importância de planejamento estratégico, escolha de parceiros sólidos e gestão ativa da energia como ativo financeiro.

O mercado livre de energia continua sendo uma das principais ferramentas para redução de custos, previsibilidade orçamentária e competitividade empresarial no Brasil.

O cenário atual não reduz seu potencial, pelo contrário, o fortalece como um ambiente cada vez mais estruturado, transparente e estratégico dentro do novo mercado de energia além de fazer com que comercializadoras que se planejaram tenham destaque nesse novo cenário.