PLD recua no Sudeste, mas volatilidade horária segue marcante no Novo Mercado de Energia
Dados de Março de 2026 apontam recuam na região sudeste e importante entender também como a volatilidade afeta o Mercado Livre de Energia.
César Felipe
4/14/20264 min read
O mês de março de 2026 trouxe um leve alívio no Novo Mercado de Energia, mas ainda distante de indicar uma estabilidade consistente. No Sudeste, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) recuou para R$ 310,31/MWh, representando uma queda de 19% em relação a fevereiro, quando havia alcançado R$ 382,41/MWh. Mesmo com essa redução, o valor permanece elevado para o período chuvoso e acima dos níveis registrados em janeiro. Já as regiões Norte e Nordeste fecharam o mês em R$ 250,39/MWh, enquanto o Sul voltou a apresentar preços mais altos, atingindo R$ 425,57/MWh.
Essa variação entre regiões evidencia que o Mercado Livre de Energia continua sob pressão, com comportamentos distintos entre os submercados. Considerando a média anual de 2026, o Sul lidera com R$ 357,96/MWh, seguido pelo Sudeste (R$ 308,14/MWh) e pelo Norte/Nordeste (R$ 287/MWh). Portanto, março indicou apenas uma acomodação pontual, sem sinal de redução estrutural dos custos.
Queda do PLD não significa alívio estrutural
A análise diária do PLD mostra que março foi menos crítico do que fevereiro, porém ainda longe de um cenário confortável. No Sudeste, os preços continuaram instáveis, alternando momentos de queda e novas pressões. A redução na média mensal deve ser entendida mais como um ajuste após um pico anterior do que como uma mudança definitiva de tendência.
Enquanto Norte e Nordeste se estabilizaram próximos de R$ 250/MWh, o Sul manteve patamares acima de R$ 425/MWh. Essa disparidade reforça a complexidade do Novo Mercado de Energia, que exige estratégias mais avançadas de gestão.
Oscilações horárias seguem impactando o sistema
Mesmo com a redução na média mensal, a volatilidade ao longo do dia continuou intensa. Durante a manhã e início da tarde, os preços foram pressionados para baixo pela geração solar. No entanto, no final do dia, especialmente no início da noite, houve elevação significativa, concentrando os maiores custos na ponta. O PLD horário chegou a R$ 609,08/MWh, aumento de 15% em relação a fevereiro, com picos por volta das 19h.
Esse comportamento indica que a análise do mercado não pode mais se basear apenas na média mensal. A dinâmica horária, influenciada pelas fontes renováveis e pela demanda líquida, tem ganhado protagonismo. Para consumidores do mercado livre, isso exige atenção redobrada à exposição no mercado spot e à estrutura dos contratos.
Amplitude de preços continua elevada
Março apresentou extremos relevantes: o preço máximo horário atingiu R$ 1.611,04/MWh, enquanto o mínimo ficou em R$ 57,31/MWh. Essa grande variação reforça a importância de estratégias mais flexíveis e da análise intradiária. Mesmo em meses com média mais baixa, os picos de preço continuam surgindo em momentos específicos de maior estresse do sistema.
CMO apresenta queda, mas ainda em nível alto
O Custo Marginal de Operação (CMO) no Sudeste caiu para R$ 308,86/MWh, redução de 8% frente a fevereiro, porém ainda em patamar elevado. Houve uma leve melhora operacional, mas sem alteração estrutural. Esse custo ainda alto ajuda a explicar por que o PLD não apresenta uma queda mais consistente.
Melhora hidrológica não redefine o cenário
A Energia Natural Afluente (ENA) no Sudeste alcançou 90% da Média de Longo Termo, enquanto os níveis de armazenamento (EAR) subiram para 65,27%. Apesar desse avanço nas condições hidrológicas, o impacto sobre os preços foi limitado. Isso mostra que a formação de preços não depende mais exclusivamente da hidrologia, mas também da carga líquida e da necessidade de flexibilidade do sistema, especialmente nos horários de maior consumo.
Curva de preços segue pressionada
No curto prazo, houve redução nos preços: a energia convencional caiu para R$ 237,22/MWh (-30%) e a incentivada 50% para R$ 265,82/MWh (-27,6%). Já no longo prazo, as quedas foram mais discretas: convencional em R$ 227,84/MWh (-3,7%) e incentivada em R$ 256,71/MWh (-3,2%). Isso indica que, apesar de algum alívio momentâneo, o mercado futuro ainda permanece pressionado.
Com preços ainda elevados e sem o benefício do desconto de TUSD para novos contratos, o potencial de economia para consumidores diminui. Assim, a geração de valor passa a depender menos da simples migração e mais da combinação de estratégias, perfis de consumo e soluções complementares.
Março aponta acomodação, não estabilidade
Em resumo, março representou um período de ajuste parcial. O Sudeste registrou R$ 310,31/MWh, Norte e Nordeste ficaram próximos de R$ 250/MWh, enquanto o Sul manteve níveis mais altos em R$ 425,57/MWh. O PLD horário máximo subiu para R$ 609,08/MWh, reforçando a pressão nos horários críticos. O CMO recuou, mas segue elevado. A hidrologia melhorou, mas não foi suficiente para alterar significativamente os preços. E a curva de mercado apresentou queda sem indicar conforto estrutural.
Recomendações para atuação no Novo Mercado de Energia
Para consumidores do Mercado Livre de Energia, a volatilidade ao longo do dia continua sendo um fator relevante. É fundamental adotar uma gestão ativa, diversificar contratos e monitorar constantemente a exposição ao mercado spot. O ano de 2026 tende a ser mais desafiador que 2025, exigindo maior cautela.
Já para consumidores do mercado cativo, mesmo com bandeira tarifária verde, o sistema ainda opera com custos elevados. Oscilações de preço e possíveis mudanças nas bandeiras continuam sendo um risco.
Para agentes e analistas, o acompanhamento integrado de indicadores como PLD, CMO, ENA, EAR e curva futura é essencial para entender o equilíbrio do sistema e antecipar movimentos.
O que podemos concluir?
Março de 2026 evidencia que o Novo Mercado de Energia exige uma análise mais aprofundada do que apenas a média mensal. A volatilidade horária, as diferenças regionais e os custos ainda elevados mostram que o ambiente permanece desafiador. Para os participantes do Mercado Livre de Energia, o grande desafio está em transformar essa complexidade em oportunidade, por meio de estratégias inteligentes, flexibilidade e inovação nos contratos.
Fontes: CCEE, ONS, Dcide. Dados consolidados até fevereiro/2026.
Disclaimer: Esta análise foi realizada pelo autor Felipe Figueiró, líder em estratégia e inteligência de mercado

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